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Erupções de água: Como os gêiseres se formam?

Esse fenômeno geológico que depende de vários fatores para surgir. Saiba como isso acontece

Letícia Yazbek Publicado em 02/04/2020, às 13h00

Gêiser Strokkur, na Islândia - Pixabay
Gêiser Strokkur, na Islândia - Pixabay

Um gêiser é uma fonte termal que expele água periodicamente, lançando uma coluna de água quente e vapor para o ar. Ele costuma aparecer em regiões próximas aos locais onde existem vulcões ativos ou onde há muito calor subterrâneo. O nome gêiser é derivado de Geysir, o nome de uma fonte localizada na Islândia. Em islandês, geysir significa jorrar.

O gêiser surge quando a água da superfície (chuva ou neve derretida) penetra no subsolo e entra em contato com rochas vulcânicas muito quentes. Aí, a água vai aquecendo aos poucos. Quando atinge 100 graus Celsius, a pressão aumenta e parte da água é transformada rapidamente em vapor. No estado gasoso, a água ocupa um volume de até 1.500 vezes maior – por isso, tende a escapar para fora dos reservatórios. Depois, a pressão alivia e o sistema subterrâneo volta a encher de água, que vaporiza e ganha força para uma nova erupção!

As erupções da maioria dos gêiseres ocorrem com espaçamentos irregulares. As pausas podem durar minutos e até anos. O período de duração da erupção também é diferente: pode variar de segundos a horas. A altura da coluna oscila entre um metro e 100 metros, e a quantidade de água que é jorrada varia de poucos litros até dezenas de milhares de litros. Tudo isso depende da temperatura, da quantidade e velocidade das correntes de água subterrânea e do tamanho do gêiser.

O surgimento do gêiser depende de vários fatores naturais, como quantidade, temperatura, distribuição e movimento das águas infiltradas e das rochas que abrigam a água. Assim, o regime periódico de um gêiser só se mantém se as erupções não destruírem as condições para que as próximas ocorram. Poucos lugares reúnem as características necessárias.

Em todo o planeta, existem menos de mil gêiseres. O Parque Nacional de Yellowstone, em Wyoming (Estados Unidos), abriga mais de 300 deles. A maioria dos gêiseres conhecidos está localizada na Nova Zelândia, Islândia, Japão, Chile, Rússia e Estados Unidos. Também há gêiseres no Peru, Açores, Quênia, Bolívia e México.

O Old Faithful, localizado no Parque Nacional de Yellowstone, é considerado o gêiser mais famoso do mundo. Ele expulsa entre 38.000 e 45.000 litros de água por erupção – a coluna de água chega a medir 52 metros de altura. As erupções ocorrem em intervalos de 37 minutos a 1 hora e 30 minutos. Cada uma delas dura cerca de 2,5 minutos.

O Grande Geysir fica no vale Haukadalur, na Islândia, onde existe uma intensa atividade de gêiseres. As erupções do Grande Geysir acontecem pelo menos desde o século 13. Os jatos são fortes e já chegaram a mais de 100 metros de altura. No entanto, nos últimos 100 anos, terremotos e erupções vulcânicas na região diminuíram a atividade da fonte.

Outro bem conhecido é o Waimangu, na Nova Zelândia, que já foi considerado o gêiser mais poderoso do mundo. Ele expelia jatos de mais de 400 metros de altura. As erupções desse gêiser lançavam água misturada a lama – por isso, foi batizado por nativos da região de Waimangu, que significa água negra. Ele foi extinto em 1904, quando uma obra mudou a direção do fluxo de água. Hoje restam grandes piscinas de águas quentes.

Já o Vale dos Gêiseres, localizado em Kamchatka (Rússia), é um dos maiores campos de gêiseres e águas termais do mundo, com cerca de 90 gêiseres ativos. A área de sete quilômetros quadrados é cercada por montanhas. O acesso ao vale só pode ser feito por meio de helicópteros.