Recreio
Entretenimento / Entretenimento

Como funciona o Top 10 da Netflix?

Entenda um pouco mais sobre a história por trás deste recurso tão famoso na plataforma

Redação Publicado em 10/08/2021, às 18h39 - Atualizado às 18h41

Imagem ilustrativa de uma pessoa assistindo Netflix - Pixabay
Imagem ilustrativa de uma pessoa assistindo Netflix - Pixabay

Assim que acessamos a Netflix, sempre damos de cara com o top 10 filmes e séries mais assistidos do momento e, com certeza, você já deve ter imaginado que ele é feito a partir das produções mais populares do país ou no mundo. No entanto, o que quase ninguém sabe é que, na realidade, o ranking é personalizado para cada usuário com base no que ele mais gosta de assistir. O método acaba gerando desconfiança em parte dos assinantes, mas existe uma lógica por trás dos algoritmos da empresa, explica Carol Zara, empresária e co-criadora da HQ Alien Toilet Monsters®.

Durante uma entrevista para a Vulture, a designer de produto do app da Netflix, Mariam Braimah, revelou que as categorias exibem "conteúdos personalizados que também são populares". Isso significa que a plataforma identifica quais programas cada usuário pode gostar mais e mostra quais desses títulos estão ganhando mais streams no momento. Dessa forma, se você assistiu mais novelas, como Chiquititas por exemplo, é bem provável que Carrossel tenha aparecido no seu top 10 assim que chegou ao catálogo.

A Netflix segue estudando a possibilidade de divulgar dados mais objetivos sobre a popularidade das produções presentes na plataforma, para utilizar como uma tática mais eficaz de aumentar os streamings em alguns títulos. Segundo Carol, “A lista dos dez melhores filmes e séries que começaram a aparecer na seção no início de 2020 gerou muita propaganda, pois marcou a primeira vez em que a Netflix revelou o desempenho de seus títulos. Porém, não sabemos se a plataforma queria mesmo ser transparente com seus usuários ou se era mais uma forma de fazer marketing”.

As listas foram adicionadas à plataforma após a empresa perceber que muitas pessoas são mais propensas a assistir algo que está sendo muito discutido no momento. Todd Yellin, vice-presidente de produto da Netflix, diz "O que algumas pessoas realmente querem ver é o que todo mundo está assistindo. Eles querem participar da conversa: 'Todo mundo está falando sobre 'O Gambito da Rainha'' e está em primeiro lugar na lista. Poxa, então eu também vou ver'. Assim, para complementar a personalização do algoritmo, nós também ressaltamos a popularidade".

A Netflix assume que suas classificações não são baseadas na média de audiência de um título, como costuma ser na TV. Em vez disso, a plataforma de streaming usa o que chama de "escolheu assistir", que registra quantas pessoas experimentam pelo menos dois minutos de um título.

netflix

Carol Zara explica que a empresa decidiu adotar essa métrica pois “Isso equilibra as disparidades na duração do programa e na contagem de episódios. E há lógica nisso, pois as classificações tradicionais são falhas ao medir milhões de minutos consumidos, dando a um programa de uma hora de duração com centenas de episódios, como ‘Grey's Anatomy’, uma enorme vantagem sobre um título mais recente com apenas uma fração da produção criativa — como ‘Special’, cuja primeira temporada mal durou duas horas no total”.

Contudo, a desvantagem de tudo isso é que este método levanta dúvidas se as listas são apenas uma ferramenta de marketing para ajudar a Netflix a promover seus títulos que custaram mais dinheiro. “Certa ou incorretamente, uma parte dos assinantes da plataforma não aprova uma interface focada em algoritmos. Alguns acreditam até que os programas de computador muitas vezes ocultam o conteúdo que realmente gostam para exibir produções que a Netflix quer que eles vejam”, comenta Carol.

Cameron Johnson, que supervisiona a inovação de produtos para a interface da Netflix, diz que não faria sentido para a empresa manipular seu algoritmo para favorecer certos tipos de programas. “O que aprendemos é que continuar a mostrar a alguém um título no qual ela não está interessada não ajuda ninguém de verdade”, diz.

Johnson também revelou que a Netflix já realizou testes para ver o que aconteceria se expandisse os três tipos atuais de listas — programas, filmes e todos os títulos — para incluir categorias menores, como infantil, stand-up, ou documentários. Eles também exploraram dar a algumas pessoas os top 20 ou 50, ou classificações dos títulos que receberam mais likes de usuários. Qualquer revisão da interface da Netflix precisa ser testada e aprovada para não estragar a experiência do usuário que geralmente funciona muito bem.

E como exatamente a Netflix sabe se o público está procurando um novo recurso? Basicamente, da mesma forma que avalia se suas produções estão indo bem: horas gastas em streaming e retenção de usuários.

“Vemos um aumento no streaming, o que significa que mais pessoas assistiram por mais horas por causa deste recurso”, diz Braimah. E ressalta: “Se estamos notando mais pessoas permanecerem membros da Netflix por mais tempo, podemos entender que as pessoas estão satisfeitas".