Dom Pedro II influenciou a gastronomia brasileira?

Veja como o ex-Imperador do Brasil também deixou sua marca na culinária do País

Marina Ribeiro Publicado sexta 19 novembro, 2021

Veja como o ex-Imperador do Brasil também deixou sua marca na culinária do País
Dom Pedro II influenciou a gastronomia brasileira? - Foto por Por Mathew Brady

Ao se aproximar da ponte flutuante montada junto ao Cais Pharoux, perto do que hoje é a Praça XV, os olhos já se encantavam com a suntuosidade da festa. Tendo ao fundo a paisagem da Baía de Guanabara, o acesso era ornamentado com seis grandes arcos e dois candelabros a gás. Junto a eles, tocava a primeira das seis bandas e orquestras contratadas para animar a festa em homenagem aos oficiais chilenos do navio Almirante Cochrane.

Ao desembarcar na Ilha Fiscal, os convidados eram recebidos por mulheres vestidas como ninfas e sereias. Nas casas à beira-mar, a população da cidade se apertava para espiar um pouco do baile que acontecia no posto de fiscalização de navios. Recém-construído em estilo neogótico, o castelo era o ponto mais brilhante do Rio de Janeiro naquela noite.

Dotado de um gerador de energia que iluminava milhares de lâmpadas dentro e fora do edifício, velas, balões e lanternas venezianas, além dos holofotes do couraçado chileno e de outros navios da Marinha ancorados ali perto, não havia quem não se impressionasse com seu esplendor.

Foi também um modo de inaugurar o palácio. No banquete foram servidos 18 pavões, 80 perus, 300 galinhas, 350 frangos, 30 fiambres, 10 mil sanduíches, 18 mil frituras, mil peças de caça, 50 peixes, 100 línguas, 50 maioneses e 25 cabeças de porco recheadas, além dos 500 pratos repletos de doces variados.

Exemplo da vida na corte, do virtuosismo da aristocracia brasileira? Que nada. O Baile da Ilha Fiscal foi uma das raras ocasiões que o império ofereceu um banquete de alta gastronomia.

Monarca de poucos banquetes

O Baile da Ilha Fiscal não apenas marcou o fim de um regime (político, vale frisar). Foi o ápice da gastronomia imperial. O gosto por comer bem veio junto com a Corte Portuguesa, em 1808, quando desembarcaram cozinheiros e literatura específica sobre culinária em forma de livros de receitas. Desde então, os hábitos à mesa se europeizaram, os ideais alimentares e de paladar se tornaram cada vez mais semelhantes aos franceses, berço da gastronomia que conhecemos hoje. Mas não era uma prática cultivada no cotidiano do imperador. Para ele, comida sofisticada era algo reservado a ocasiões especiais.

As receitas elaboradas, que vieram com dom João VI, se ampliaram com a independência, em 1822. Para negar a dominação colonial portuguesa passou-se a buscar apoio na cultura francesa. Os estrangeiros que viviam no Rio de Janeiro forçaram a criação de um mercado que absorvesse produtos da Europa, como conservas, doces, frutos processados, salsichas, presuntos, manteiga, queijo, chá e temperos.

Permitindo uma reprodução da culinária degustada nos palácios, o que pode ser comprovado nos cardápios impressos, predominantemente em francês, com alimentos típicos dessas ocasiões. "No século 19, não era mais necessário ter berço para usufruir de itens de luxo, como os banquetes", afirma Wanessa Asfora Nadler, professora do curso de pós-graduação de Gastronomia do Senac. "A classe alta precisava marcar posição social. Por isso, além das artes e moda, eles prestavam atenção na comida."

A canja do imperador

Os viajantes estrangeiros, tratados com deferência, espantavam-se quando, à mesa, era oferecido frango cozido em caldo quente (que era tido como ótimo para espantar doenças). Isso fez com que muitos relatos de viagem ao Brasil mencionassem expressamente (e com certa monotonia) o "fenômeno galinha com arroz". Os aventureiros podiam até ficar entediados com a repetição da canja, mas dom Pedro II a tinha como prato predileto.

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Último acesso: 30 Nov 2021 - 12:50:17 (1101366).