Ciclo de vida estelar: Entenda como nasce e morre uma estrela

Apesar de nascerem quase sempre da mesma forma, estrelas podem seguir dois caminhos ao longo da vida

Letícia Yazbek Publicado segunda 27 abril, 2020

Apesar de nascerem quase sempre da mesma forma, estrelas podem seguir dois caminhos ao longo da vida
- Pixabay

O nascimento de uma estrela acontece em algumas nebulosas (grandes nuvens de gás e poeira). A força da gravidade e os movimentos internos da nebulosa fazem com que partes do material se acumulem e fiquem bem juntas. Aí, aquele pedaço da nebulosa fica contraído e diminui de tamanho. A contração dos gases e da poeira faz a pressão e a temperatura aumentarem cada vez mais.

Quando a pressão é alta o suficiente, a bola de gás passa a transformar hidrogênio em hélio e a emitir luz! Esse processo, chamado de fusão nuclear, libera muita energia — é o início da vida de uma estrela!

Fase brilhante

Dependendo da quantidade de gases e da massa que a estrela acumulou, ela pode ter diferentes tamanhos. Quando a fusão nuclear começa, a estrela entra em uma fase estável, usando todo o hidrogênio disponível para emitir luz. Para estrelas pequenas ou médias (como o Sol), esse processo dura cerca de 10 bilhões de anos. Para estrelas gigantes (com pelo menos oito vezes o tamanho do Sol), que evoluem mais rápido, essa fase dura milhões de anos.

Transformação gigantesca

Quando o hidrogênio acaba, o combustível passa a ser o hélio. Nessa fase, a estrela se expande, tornando-se uma gigante vermelha — no caso das estrelas gigantes, surge uma supergigante vermelha. A energia é distribuída por uma área maior e o calor na superfície diminui. Isso faz com que a estrela tenha tom avermelhado. A partir desse crescimento, o destino da estrela segue dois caminhos, conforme a massa dela.

A luz apagou!

Para uma estrela pequena ou média, 2 ou 3 bilhões de anos depois de se tornar uma gigante vermelha, o processo de queima do hélio termina. Aí, ventos internos expulsam as camadas externas do corpo celeste para o espaço. O material que foi para fora cria uma nebulosa planetária. No centro dela da nebulosa fica o que sobrou na estrela: uma anã branca. Feita de carbono e oxigênio, ela esfria lentamente, por bilhões de anos, até não emitir mais grande quantidade de luz e tornar-se uma anã negra.

Quando o Sol se tornar uma anã branca, ele vai encolher e ficar com diâmetro parecido com o da Terra — cerca de um centésimo do diâmetro que tem hoje. Apesar disso, preservará 60% da massa original.

Muita energia

Nas supergigantes vermelhas, a fusão nuclear continua e o hélio se transforma em elementos mais pesados, como carbono e cálcio, até chegar ao ferro. Quando isso acontece, o núcleo fica tão denso que não consegue mais suportar o próprio peso. Aí, explode, emitindo mais luz do que uma galáxia inteira. A energia liberada é muito grande e são formados elementos como o urânio e o ouro — surgiu uma supernova!

Estrela de nêutrons

Depois da supernova, se o que restou da estrela tiver menos do que cinco vezes a massa do Sol, surgirá uma estrela formada por nêutrons (partícula atômica). A estrela de nêutrons é bastante compacta: pode ter a massa do nosso Sol e diâmetro de apenas 30 quilômetros.

Sem escapatória

Se a massa que restou da estrela for maior do que cinco massas solares, o material restante continua se contraindo até sofrer um colapso. É o buraco negro, tão denso que nada escapa à gravidade dele — nem a luz!

Último acesso: 03 Dec 2021 - 04:41:37 (1100265).