Recreio

O que foram as capitanias hereditárias?

Séculos atrás, quando o Brasil ainda era comandado por Portugal, o território ganhou divisões bem diferentes das atuais

Silvia Regina Publicado em 19/11/2019, às 13h05 - Atualizado em 22/02/2022, às 16h00

Quadro Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro, de Oscar Pereira da Silva - Wikimedia Commons
Quadro Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro, de Oscar Pereira da Silva - Wikimedia Commons

Para proteger o território recém-descoberto do Brasil e explorar as riquezas que existiam por aqui, o rei português João III criou, em 1534, 15 capitanias hereditárias: pedaços de terra doados a homens de confiança do rei (os capitães donatários), que deveriam manter a ordem no local. Eles poderiam explorar a área, desde que mandassem uma parte do que conseguissem para Portugal.

Do litoral para dentro

Como o interior do Brasil ainda não era muito conhecido pelos portugueses, as capitanias hereditárias foram divididas a partir do litoral. Elas tinham 50 léguas (300 quilômetros) ou mais a partir da costa litorânea indo em direção ao interior do país. Mas, no começo, os limites entre uma capitania e outra não eram bem determinados.

Entre gerações

Caso o donatário morresse, a capitania seria administrada pelo herdeiro dele — daí o nome capitanias hereditárias. Algumas vezes, o herdeiro elegia outra pessoa para cuidar território — eram os loco-tenentes, que representavam os interesses do donatário.

Problemas à vista!

A história não deu tão certo quanto o rei português imaginou. Metade dos donatários nem conseguiu chegar ao Brasil para tomar posse das terras. Alguns passaram o território para outros donatários, uma parte morreu em naufrágios pelo caminho ou guerreando com os índios e ainda houve aqueles que lutaram contra os próprios portugueses que já habitavam essas terras.

É o fim!

Diante de tantos problemas, em 1548, o rei português mudou o sistema de administração das terras brasileiras: surgia o governo-geral, com Tomé de Sousa como primeiro governador-geral. Ele era um representante dos interesses da Coroa Portuguesa e deveria cuidar da arrecadação de impostos, da defesa das terras e da resolução de conflitos internos que pudessem existir. Aos poucos, as capitanias foram sendo readquiridas pelo rei português até serem extintas.

Veja quem tomava conta das terras brasileiras:

Capitanias São Vicente: Martim Afonso de Souza

Capitanias Santana e Santo Amaro: Pero Lopes de Souza

Capitania São Tomé: Pero de Góes

Capitania Espírito Santo: Vasco Fernandes Coutinho

Capitania Porto Seguro: Pero do Campo Tourinho

Capitania Ilhéus: Jorge de Figueiredo Correia

Capitania Bahia de Todos os Santos: Francisco Pereira Coutinho

Capitania Pernambuco: Duarte Coelho

Capitania Itamaracá: Pero Lopes de Souza

Capitania Rio Grande: João de Barros e Aires Cunha

Capitania Ceará: Antônio Cardoso de Barros

Capitania Maranhão (lote 1): Fernando Álvares de Andrade

Capitania Maranhão (lote 2): João de Barros e Aires Cunha


Consultoria: Fernanda Sposito (historiador da Unicamp).