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Como era a vida antes da criação do guarda-chuva?

Ao longo da história, diferentes civilizações desenvolveram objetos parecidos, mas os utilizavam com outro propósito. Confira!

Letícia Yazbek Publicado em 30/07/2021, às 14h30 - Atualizado às 15h32

Imagem ilustrativa de guarda-chuvas - Pixabay
Imagem ilustrativa de guarda-chuvas - Pixabay

Acessório comum no dia a dia de qualquer pessoa, o guarda-chuva é mais antigo do que se imagina. Ao longo da história, diferentes civilizações desenvolveram objetos parecidos, mas os utilizavam com outro propósito: se proteger dos raios solares.

Por volta de 4.000 anos atrás, nobres chineses já usavam sombrinhas feitas de madeira, bambu e tecido. A pele clara é valorizada na cultura chinesa — o bronze é resultado do trabalho braçal degradante — , por isso a proteção contra o sol era essencial para a nobreza.

Segundo Marion Rankine, em Brolliology: A History of the Umbrella in Life and Literature, na Antiguidade, o guarda-sol era considerado sagrado por alguns povos, como egípcios e assírios. Feito com folhas de árvores, penas ou couro, ele era usado para proteger reis e divindades. Na Grécia, feito de tecido e decorado com ouro e marfim, o guarda-sol era usado apenas por mulheres e homens da elite, acompanhados por um escravo que carregava o utensílio.

Até então, ninguém havia pensado em usar o acessório para não se molhar. Talvez porque alguns desses povos viviam em locais quentes e secos, onde a chuva não era um problema frequente. Além disso, várias culturas antigas viam a chuva como uma dádiva, símbolo de abundância e fertilidade. Por isso, o mais provável é que as pessoas andassem na chuva mesmo, sem se importar muito com isso, e se protegessem debaixo de árvores, construções e cabanas quando a tempestade chegava. Foi assim que, por muitos anos, a humanidade lidou com a chuva.

Não se sabe ao certo quando a sombrinha virou guarda-chuva, mas acredita-se que isso tenha acontecido no fim do século 16, quando o objeto se tornou popular no ocidente. No clima frio e chuvoso do norte da Europa, o acessório foi adaptado à realidade da população local. No século 17, o guarda-chuva já era popular na França e na Inglaterra. Feito de seda, era impermeabilizado com uma camada de cera e usado principalmente por mulheres da classe alta — ter um guarda-chuva era caro e símbolo de status.

Mas a maioria das pessoas — principalmente os homens — não comprou a ideia. Sair todos os dias de casa com um guarda-chuva e levá-lo a todos os lugares sem saber se iria de fato usá-lo parecia ridículo e inútil. Se alguém estivesse andando na rua e começasse a chover de repente, era só usar jornais ou pastas para cobrir a cabeça ou se abrigar em algum lugar. A situação era ainda mais simples se já estivesse chovendo antes de sair de casa: gorros, chapéus e casacos grossos com capuzes davam conta do recado. Além disso, sempre dava para evitar sair durante as chuvas.

Apesar de o guarda-chuva ser utilizado por alguns membros da classe alta, outros achavam que ele rebaixava a classe. Em Traces of Vermeer, Jane Jelley conta que, em 1768, uma revista parisiense publicou: “Aqueles que não querem ser confundidos com pessoas vulgares preferem correr o risco de ficar ensopados a serem considerados alguém que anda a pé. Um guarda-chuva é um sinal claro de alguém que não possui uma carruagem.”

Por volta de 1750, o escritor britânico Jonas Hanway comprou um guarda-chuva e fez dele seu fiel companheiro. Mesmo sendo ridicularizado por muitos, ele ajudou a popularizar o objeto entre os homens. Aos poucos, eles perceberam que o guarda-chuva era um acessório útil e digno de um gentleman.

Em 1830 foi aberta a primeira loja de guarda-chuvas, James Smith & Sons, que continua funcionando no mesmo endereço, em Londres. Depois disso, segundo Rankine, “objetos de luxo que eram reservados aos ricos foram democratizados por meio da produção de versões mais baratas e de alta qualidade”. A classe média passou a usar guarda-chuvas para se diferenciar da classe trabalhadora, popularizando o objeto. Inovações como o guarda-chuva de aço, criado em 1852, e o compacto, em 1928, fizeram com que se tornasse um acessório comum e indispensável no mundo todo.