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Viva a História / Cotidiano

Como nós fazíamos quando não existia dinheiro?

Descubra como funcionava a vida das pessoas antes desta invenção

Dennis Barbosa Publicado em 30/10/2020, às 10h00 - Atualizado às 15h56

Imagem ilustrativa de notas de dólares - Pixabay
Imagem ilustrativa de notas de dólares - Pixabay

A dificuldade de encontrar alguém oferecendo o que se buscava disposto a trocar por algo de que se dispunha motivou a adoção de algum bem como referência, a chamada moeda-mercadoria. Em povos pastoris, por exemplo, essa unidade era o gado. Daí surgiu o termo “pecúnia”, sinônimo de dinheiro que tem raiz no latim pecu (rebanho). Outra palavra que surgiu daí é “capital”, que remete a caput (cabeça).

E da moeda-mercadoria para o uso de metais como unidade de valor foi um pulo. Mais fáceis de transportar e armazenar, tinham um inconveniente: o de terem de ser pesados a cada transação. O problema foi eliminado quando os governos passaram a fundir quantias padronizadas de metal, colocando sobre elas seu selo para garantir o valor. Creso, rei dos Lídios entre 560 e 546 a.C., é tido como o primeiro a instituir a cunhagem oficial e a difundi-la pelas proximidades, a Ásia Menor, então centro do mundo.

O próximo passo foi a gradual substituição de metais preciosos por outros mais comuns, como o ferro, processo em que a malandragem dos governantes teve papel fundamental. Os imperadores romanos, por exemplo, que detinham o direito de cunhar dinheiro a seu bel-prazer, chegavam a fabricar moedas com 98% de chumbo, o que diminuía consideravelmente seu valor. Isso gerou crises econômicas que contribuíram para a decadência de Roma.

A escassez de metal precioso fez da Suécia o primeiro país europeu a adotar o papel-moeda, em 1661. Já estávamos, então, na era da moeda lastreada, feita de material barato mas pelo qual o governo se comprometia a guardar o ouro ou a prata em seu tesouro.

Houve épocas em que bancos e outras instituições privadas imprimiram dinheiro próprio. Foi assim nos Estados Unidos, entre 1837 e 1863. Qualquer um podia lançar dinheiro no mercado se pudesse pagar por ele o valor prometido. Isso, é claro, só poderia resultar em caos. Em 1860, havia cerca de 8 mil tipos de dinheiro circulando no país, emitidos por bancos, igrejas e até restaurantes. Quando algum desses estabelecimentos fechava, os portadores de suas notas ficavam a ver navios.