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Como era feito o processo de mumificação?

Elas dão medo nas histórias de terror, mas já foram muito importantes para povos da Antiguidade

terça 12 novembro, 2019
Foto:Getty Images

Apesar de assustadoras, as múmias eram comuns em várias culturas do passado, como a do Egito Antigo. As pessoas acreditavam na vida após a morte, desde que o corpo do morto fosse conservado para receber a nova vida. No Egito, a prática surgiu há 5.000 anos e durou até 1.700 anos atrás, quando desapareceu por várias razões, como a influência do Cristianismo, religião com outras ideias sobre a vida após a morte.

Celebridade

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A múmia do faraó egípcio Tutancâmon é uma das mais conhecidas. Tutancâmon subiu ao trono por volta do ano 1330 antes de Cristo, quando tinha apenas nove anos, e governou até a morte, aos 18 anos. Em 1922, a tumba de Tutancâmon foi encontrada pelo arqueólogo inglês Howard Carter, em uma pirâmide no Vale dos Reis, ao sul do Cairo (Egito). Na tumba, feita de ouro, estava o corpo mumificado de Tutancâmon, coberto por uma máscara de ouro. Também foram encontradas cerca de 5 mil peças, como joias, vasos, e esculturas.

Boato assustador

Você conhece a maldição da múmia? Ela surgiu porque trabalhadores que ajudaram na escavação que descobriu a tumba de Tutancâmon ficaram doentes e morreram depois da abertura do túmulo. Aí, surgiu o boato de que quem perturbasse a tumba de uma múmia seria amaldiçoado. Mas o provável é que eles tenham sido infectados por substâncias tóxicas que se acumularam no sarcófago com o tempo.

Festival de múmias

Se você sonha em ver múmias variadas bem de perto, um dos lugares mais recomendados no mundo é o Museu do Cairo, na capital do Egito. Lá há múmias de pessoas comuns, que nunca foram reis ou rainhas, e também múmias de grandes autoridades do Egito Antigo, como a do faraó Ramsés II, que governou a região entre os anos 1279 e 1213 antes de Cristo.

A tumba de Ramsés II foi assaltada menos de dois séculos depois da morte dele. Mas a múmia, que você vê na imagem acima, não foi levada.

Para todos

Nem só os seres humanos viravam múmias na Antiguidade. Animais, como cachorros, pássaros e gatos, também participavam da tradição no Egito Antigo, onde o povo acreditava que os bichos eram representações dos deuses sagrados. Ao serem mumificados, os animais serviam de símbolo ao culto dessas divindades. Mas também havia alguns casos em que a mumificação de um animal era simplesmente uma homenagem a um bicho de estimação muito querido.

Até quem não era rei ou rainha poderia ser mumificado no Egito Antigo. O preço era alto, mas bastava pagar pelo ritual e qualquer pessoa comum podia virar uma múmia.

De vários lugares

As múmias egípcias são as mais conhecidas, mas não são as únicas nem as mais antigas. Há múmias incas (povo que viveu em regiões da América do Sul, como o Peru) feitas por volta de 5000 antes de Cristo. E outras foram encontradas na Europa, Oceania, Ásia e regiões da África, além do Egito.

Veja como era o passo a passo do processo de mumificação:

1. Limpeza geral

O ritual acontecia em tendas às margens do rio Nilo, em uma região onde ficavam os cemitérios. O corpo que se tornaria uma múmia era colocado em uma mesa e lavado com água do rio. Mais de um corpo era mumificado ao mesmo tempo.

2. Vazio por dentro

Para evitar a decomposição do corpo, os órgãos internos eram removidos. Só ficava o coração, pois os egípcios acreditavam que ele era o centro da inteligência e a força da vida dos homens.

3. Proteção máxima

Só alguns órgãos eram guardados em vasos, com símbolos representando os quatro filhos de Hórus, deus dos céus: Duamutef (cachorro) cuidava do estômago; Qebehsenuf (falcão), dos intestinos; Hapi (babuíno), dos pulmões; e Amset (humano), do fígado.

4. Bem seco

Em seguida começava a desidratação, processo que evitava o apodrecimento da múmia. Para isso, o corpo era preenchido com natrão, um sal comum na época, e permanecia assim por 40 dias. Durante esse tempo, o sal sugava o líquido do corpo.

5. Tratamento de beleza

Após a desidratação, o corpo era lavado outra vez e recebia óleos e ervas perfumadas. Depois, seu interior era recheado com serragem e plantas secas para não deformar. Só então o corpo começava a ser enfaixado com tiras de linho, que chegavam a até 20 camadas.

6. Da cabeça aos pés

A sequência para enrolar o linho pelo corpo começava na cabeça e seguia para as mãos, pés e só depois o resto do corpo. Nessa etapa, o sacerdote que comandava o ritual usava uma máscara de Anúbis, o deus dos mortos. Ao final, a múmia ia para o sarcófago e, depois, para o túmulo, que podia variar de covas bem simples às grandes pirâmides.

 

Consultoria: Claudio U. Carlan (professor de Hsitória Antiga da UNIFAL-MG) e Gilvan Ventura (especialista em História Antiga da UFES).

Letícia Yazbek
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