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Maias, Incas, Astecas e mais: 8 grandes civilizações que desapareceram do mapa

Há centenas de anos, algumas regiões eram dominadas por grandes impérios que já não existem mais. Conheça!

Letícia Yazbek Publicado em 23/01/2022, às 12h00

Ruínas de Machu Picchu, no Peru - Pixabay
Ruínas de Machu Picchu, no Peru - Pixabay

1. Maias

Viveram de 2500 antes de Cristo até por volta de 1500 depois de Cristo, nas atuais regiões do sul do México, Guatemala Honduras, Belize e El Salvador. Os maias surgiram a partir de várias comunidades indígenas, que tinham diferentes culturas — nunca chegaram a formam um único império.

Viviam da agricultura, principalmente do cultivo de milho e feijão. Desenvolveram técnicas de irrigação avançadas, e ergueram grande pirâmides, templos e palácios. Eles conheciam matemática e criaram um calendário complexo, famoso por supostamente apontar o fim do mundo para 2012. O idioma falado pelos maias levava o mesmo nome que eles. Também criaram uma técnica de escrita chamada pictoglífica, que misturava símbolos e imagens.

Provavelmente os maias desapareceram após uma série de conflitos internos e tensões entre os cidadãos e as classes dominantes. Também teriam entrado em decadência por causa da falta de alimentos.

2. Incas

Habitavam a região da Cordilheira dos Andes, nos atuais Peru, Equador, Bolívia e Chile, por volta de 1200 a 1535. Eles apareceram a partir de uma série de civilizações andinas que viviam na mesma região. Os incas se estabeleceram em Cusco, no Peru e, por votla de 1400, conquistaram grande parte dos territórios do oeste da América do Sul.

Cusco e Machu Picchu, no Peru, eram as cidades mais importantes desse império, que chegou a ter 12 milhões de pessoas. Viviam da agricultura e cultivavam principalmente batata e milho. Os terrenos eram íngremes e, por isso, desenvolveram uma técnica eficiente de plantio em degraus.

Os incas criavam e domesticavam lhamas e alpacas. Construíram estradas, pontes e templos. A arte desse povo ficou conhecida pelos objetos de ouro e pelos calçados e tecidos. Lutas internas enfraqueceram o povo, que desapareceu após o conflito com os invasores espanhóis em 1535.

Ruínas da civilização Inca

3. Astecas

Os astecas viveram na atual região do México, de 1200 a 1530. Eram índios norte-americanos que migraram para o México. Em 1325, fundaram a cidade de Tenochtitlán, atual Cidade do México, capital do império.

Eles criaram quilômetros de estradas e até redes de abastecimento de água. Desenvolveram técnicas agrícolas e plantavam milho, pimenta, tomate e cacau. Também criaram um calendário com o cálculo preciso do ano de 365 dias. Eles falavam a língua nahuatl e se vestiam com um pano longo amarrado no ombro. O artesanato se destacava pela confecção de tecidos e a produção de objetos de ouro e prata.

Ainda eram poderosos quando os espanhóis fizeram o primeiro contato, em 1519. Mas, poucos anos depois, foram derrotados e desapareceram.

4. Vikings

Os vikings habitaram a região da Escandinávia (Dinamarca, Suécia e Noruega), de 700 a 1100, aproximadamente. Eles surgiram a partir de povos que habitavam a região desde a Antiguidade.

Povo guerreiro, os vikings fabricavam armas, escudos de madeira e embarcações de guerra. Eram ótimos navegadores e atacavam várias cidades em busca de riquezas. A economia era baseada na pesca e no comércio marítimo. Foram importantes na formação de povos que, mais tarde, dariam origem à Rússia.

Os vikings usavam roupas feitas de lã e linho para se proteger do frio. Ficaram conhecidos pela mitologia viking – conjunto de crenças que contava com deuses como Odin e Thor. Com o fortalecimento dos reinos da Dinamarca, Suécia e Noruega, o estilo de vida viking entrou em declínio e o povo desapareceu.

5. Celtas

Viveram na Irlanda, Escócia e Inglaterra, de 2000 antes de Cristo até o ano 50. Eles surgiram na Gália, atual região da França. Depois, foram para as ilhas britânicas, Espanha e Portugal.

Os líderes comunitários e religiosos eram os druidas, descritos em livros como mágicos. Eles conheciam os poderes de plantas e ervas. O povo celta desenvolveu técnicas agrícolas como o arado com rodas e fabricou joias, armaduras, espadas e carros de guerra.

Teriam sido o primeiro povo da Europa a produzir objetos de ferro. Os celtas desapareceram quando a ilha da Grã-Bretanha foi invadida pelo Império Romano, por volta do ano 50. Até hoje, escoceses, irlandeses e galeses falam dialetos chamados gaélicos, de origem celta.

Casas de madeira da civilização Celta

6. Songai

Surgiram entre os anos de 1300 e 1590, na atual região central do Mali, na África, a partir de povos que se estabeleceram na cidade de Gao por volta do ano 800. Com o passar do tempo, eles se fortaleceram e conquistaram cidades vizinhas.

A maioria do povo songai vivia da pesca e da criação de rebanhos de animais. Mas muitas pessoas viviam nas grandes cidades de Gao e Timbuktu, centros comerciais à beira do rio Níger, onde o comércio de ouro e sal era forte. Timbuktu ficou famosa por uma lenda: seria coberta de ouro!

Por volta de 1590, os marroquinos capturaram as cidades dos songai, utilizando armas mais eficientes. O povo lutou contra os invasores, mas não conseguiu restaurar o império.

Gravura de uma cidade da civilização Songai

7. Yorubás

Viveram no sudoeste da Nigéria, na África, do ano 1400 ao ano 1850, aproximadamente. Surgiram a partir de grupos vindos do norte do continente que se estabeleceram na Nigéria, com sede na cidade de Ifé, que ainda existe.

O império enriqueceu devido ao comércio e à agricultura. Ótimos artesãos, os yorubás trabalhavam como ferreiros, tecelões e na produção de objetos de couro, marfim e madeira.

Também eram fortes guerreiros. Com o tráfico de escravos, entre os séculos 16 e 19, muitos yourubás vieram para o Brasil, principalmente para a Bahia. Assim, foram importantes para a formação da cultura do estado. Em 1835, o reino foi invadido por impérios rivais. Depois, foi colonizado pelos ingleses. O idioma yorubá, de origem egípcia, é um dos mais falados na Nigéria até hoje, e a cultura do povo continua forte no país.

8. Rapa Nui

O povo Rapa Nui viveu entre os anos 800 e 1800, aproximdamente, na Ilha de Páscoa, no Oceano Pacífico, a 3700 quilômetros da costa oeste do Chile. Surgiram a partir de grupos de colonizadores polinésios que chegaram à ilha em pequenas embarcações. A população cresceu rapidamente e o povo passou a fazer parte de uma sociedade grande e próspera.

Pequena e isolada, a Ilha de Páscoa guarda vários mistérios, como o conjunto de 887 estátuas gigantes com rostos humanos, conhecidas como moais. Essas estátuas serviriam para demarcar as terrar ou apontar a liderança política de algum líder. Não se sabe ao certo como os rapanui viviam, mas a agricultura foi provavelmente a principal atividade econômica.

O desmatamento causou a extinção de grande parte das plantas e animais que viviam na Ilha. Aí, conflitos internos levaram ao desaparecimento da população.

Estátuas de Rapa Nui

Consultoria: Ana Cristina de V. Lima (mestre em História Social pela USP e pesquisadora do Centro de Estudos Mesoamericanos e Andinos da USP), Andrea Marzano (professora da Escola de História da UNIRIO, César Augusto Guazzelli (professor do Departamento de História da UFGRS) e Johnni Langer (historiador especialista em Mitologia Nórdica).