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Tecnologia / Computador

Como fazíamos quando o teclado do computador não existia?

No início, os computadores funcionavam através de botões, chaves e cartões perfurados

Letícia Yazbek Publicado em 10/09/2021, às 10h00 - Atualizado às 10h49

Teclado de computador - Pixabay
Teclado de computador - Pixabay

A simples ideia de estudar ou trabalhar diante de um computador sem teclado parece irreal. Hoje, ele é o principal periférico de entrada – aparelhos que enviam informações ao computador. Mas nem sempre foi assim. Quem tinha a oportunidade de usar um computador entre as décadas de 1940 e 1970 na maioria das vezes utilizava outros métodos para inserir dados na máquina.

Era o caso do enorme Eniac, desenvolvido em 1946 a pedido do Exército dos Estados Unidos e considerado um dos primeiros computadores eletrônicos do mundo. Ele era operado manualmente, de forma parecida com a que usamos uma calculadora hoje. O manuseio direto de milhares de chaves e botões dispostos em um painel determinava a tarefa a ser executada pela máquina.

Em 1950, a IBM introduziu nos computadores eletrônicos o uso dos cartões perfurados – os mesmos utilizados no início do século 19, quando o francês Joseph-Marie Jacquard inventou sua máquina de tear automatizada. Também eram utilizadas fitas perfuradas, feitas de papel ou plástico.

Esses cartões e fitas foram o principal método de entrada, saída e armazenamento de dados de grande parte dos primeiros computadores. Eles continham informações digitais representadas pela presença ou falta de furos em posições predefinidas. Um leitor detectava os furos e transmitia os sinais elétricos ao aparelho, que armazenava as informações.

Enquanto isso, a máquina de escrever e o teletipo (que enviava e recebia mensagens mecanografadas) já contavam com teclados. E, desde 1930, os perfuradores dos cartões, que antes funcionavam manualmente, traziam teclas de letras e números semelhantes às das máquinas de escrever.

Parecia natural, então, que os teclados fossem incorporados também aos computadores. O Binac, um dos primeiros computadores eletrônicos, foi desenvolvido em 1949 com um teclado de máquina de escrever. O surgimento dos computadores comerciais, a partir da década de 1950, impulsionou a adesão dos teclados, que facilitavam a experiência do usuário.

Segundo Raul Sidnei Wazlawick, professor do Departamento de Informática e Estatística da UFSC e autor do livro História da Computação, a diferença entre o teclado e a programação manual, os cartões e fitas perfuradas é que o teclado permite uma interação do usuário com a máquina. “Com fitas e cartões você precisa colocar todas as informações de uma só vez na máquina e aguardar os resultados no final. Mas, com o teclado, você pode inserir algumas informações, receber algum feedback do computador, e depois entrar com mais informações”. Por meio de cartões e fitas, qualquer atividade que exige uma interatividade com a máquina, como jogar videogames, seria impossível.

A década de 1970 foi marcada pelo surgimento dos primeiros computadores domésticos, como o Kenbak-1, de 1971, e o Altair 8800, de 1975. Eles não tinham teclado – e nem muita utilidade prática. Compactos, os dois usavam um sistema de chaves para a entrada de dados e programas, e eram usados principalmente por engenheiros que queriam aprender a programar.

Logo depois, em 1976, a Apple lançou seu primeiro computador, o Apple I, que contava com um teclado. No ano seguinte, o aparelho foi aperfeiçoado e deu origem ao Apple II, produzido em escala industrial e feito de plástico, bem mais parecido com um computador atual. Nos anos 1980, a Apple se consolidou como um símbolo de inovação tecnológica, e seus computadores com teclados se tornaram modelos para as empresas concorrentes.

Desde então, os teclados são fundamentais para a interatividade humana com o computador. Disponíveis em diferentes tipos, cores e preços, são eles que comandam os PCs, notebooks, smartphones e tablets.