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Ponto Nemo: O local mais distante da terra firme

A ilha de Motu Nui, a oeste do Chile, é a porção de terra mais próxima ao Ponto Nemo

Lucas Vasconcellos Publicado em 15/06/2020, às 12h00 - Atualizado às 18h50

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O polo oceânico de inacessibilidade, também conhecido como Ponto Nemo, é a região no oceano mais distante de terra firme que existe em nosso planeta. O Ponto Nemo fica no sul do Oceano Pacífico, equidistante (ou seja, tem a mesma distância) a aproximadamente 1,6 mil quilômetros da costa de três ilhas: a Ducie, na Polinésia; a Motu Nui, na Ilha de Páscoa - Chile; e a Maher, na Antártica.

O local habitado mais próximo do Ponto Nemo está localizado a 2,7 mil quilômetros dali. Devido a isso, as pessoas mais próximas da região são os astronautas. Isso porque a Estação Espacial Internacional percorre a órbita terrestre a uma distância e 416 quilômetros do nível do mar, no máximo.

Acredita-se que poucos seres sobrevivam na região. Isso porque ela fica dentro do giro do Pacífico Sul e recebe forte corrente oceânica circumpolar antártica. As águas do giro são estáveis e tem temperatura média de 5,8º graus Celsius na superfície e a corrente rotatória impede a entrada de águas mais frias e ricas em nutrientes. Já o isolamento terrestre impede o vento de levar grandes quantidades de matéria orgânica – logo, há pouco alimento disponível.

Contudo, algumas criaturas sobrevivem em pontos dalí: o Ponto Nemo está próximo ao extremo sul de uma linha submarina de atividade vulcânica que marca a fronteira entre as placas tectônicas do Pacífico e de Nazca. Devido a quantidade de magma que se instala nas fissuras e cria sistemas de ventilação que expelem água quente e minerais, facilita a proliferação de bactérias. As bactérias, por sua vez, sustentam animais maiores, como o caranguejo-yeti (observado pela primeira vez em 2005).

Não se sabe a quantidade, mas muito lixo está acumulado no entorno dali, sendo o maior no centro do Giro do Pacífico Sul (a 2,5 mil quilômetros do Ponto Nemo). O material que mais aparece ali é o plástico, que é carregado pelas correntes marinhas da costa e de navios. As correntes e a luz solar fragmentam o lixo em pequenos pedaços os quais são prejudiciais ao meio ambiente. Por isso devemos reciclar os plásticos ao invés de descartá-los em qualquer lugar!

Consultoria: Luigi Jovane (Instituto Oceanográfico da USP), Mariana Coppede Cussioli (oceanógrafa) e Rafael Varela (Museu do Instituto Oceanográfico da USP).