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Mapa-Múndi / Brasil

Como surgiram as regiões do Brasil?

Até chegar às cinco atuais regiões brasileiras, nosso país viveu diversos momentos na tentativa de organizar o território

Redação Publicado em 29/06/2022, às 12h22

Imagem ilustrativa de pessoas segurando a bandeira do Brasil - Pixabay
Imagem ilustrativa de pessoas segurando a bandeira do Brasil - Pixabay

O Tratado de Tordesilhas, de 1494, foi o primeiro acordo responsável por uma divisão em nosso território, ainda nem descoberto pelos portugueses — na época, a porção à leste do tratado ficou sob o domínio de Portugal e a porção à oeste sob a dominação da Espanha. Uma divisão interna veio com as Capitanias Hereditárias, em 1534 — eram 15 faixas de terra.

Tempos atrás

A primeira proposta para dividir o país em regiões veio em 1913, com o objetivo de ensinar geografia nas escolas. Ela foi baseada apenas em aspectos físicos (clima, vegetação e relevo) e separou o Brasil em: região Setentrional (Amazonas, Pará e Acre), Norte Oriental (Maranhão, Piauí, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Alagoas), Central (Mato Grosso e Goiás), Oriental (Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro) e Meridional (São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná).

Centro de pesquisas

Com o objetivo de conhecer melhor o território nacional e obter dados estatísticos da população brasileira, o então presidente Getúlio Vargas fundou, em 1938, um centro de estudos e pesquisas chamado Instituto Brasileiro De Geografia E Estatística (IBGE) — ele substituiu o Departamento Nacional de Estatísticas (DNE). Surgia, assim, o projeto para dividir o território de uma melhor maneira. Para isso, era preciso considerar as grandes diferenças existentes entre as várias áreas do país.

O IBGE coleta dados para conhecer melhor o Brasil. Entre as principais atividades do instituto estão: analisar e criar dados estatísticos (população, renda, entre outros); criar e analisar mapas, e outras informações geográficas; disponibilizar informações sobre o meio ambiente; arquivar e divulgar informações sobre o país.

Um novo jeito

Dois anos depois da fundação, o IBGE propôs uma nova divisão do Brasil, que, além dos aspectos físicos usados antes, levou em consideração questões socioeconômicas.

Assim, o território ganhou cinco regiões: Norte (Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí e Acre), Centro (Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais), Leste (Bahia, Sergipe e Espírito Santo), Nordeste (Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba e Alagoas) e Sul (Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro).

Sete regiões

Cinco anos depois, em 1945, o IBGE propôs um formato com sete regiões: Norte, Nordeste Ocidental, Nordeste Oriental, Centro-Oeste, Leste Setentrional, Leste Meridional e Sul. Na mesma época, aconteceram mais mudanças:

  • Na porção norte do Amazonas foi criado o território de Rio Branco (atual estado de Roraima).
  • No norte do Pará surgiu o estado do Amapá.
  • Mato Grosso perdeu uma porção a noroeste (batizada como território de Guaporé) e outra ao sul (chamada de território de Ponta Porã).
  • Na região Sul, Paraná e Santa Catarina foram cortados a oeste, onde surgiu o território de Iguaçu

Algumas mudanças

Em 1950, para adaptar a divisão regional à realidade econômica e social do país, o IBGE fez uma nova proposta:

  • Os territórios de Ponta Porã e Iguaçu foram excluídos da divisão.
  • Os estados do Maranhão e do Piauí passaram a integrar a região Nordeste.
  • Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro começaram a fazer parte da região Leste.

Nova capital

Com a criação de Brasília em 1960, que passou a ser a nova capital do nosso país (antes, o posto era ocupado pelo Rio de Janeiro), o Distrito Federal foi transferido do Sudeste para o Centro-Oeste. Em 1962, o Acre tornou-se um estado autônomo e o território de Rio Branco ganhou o nome de Roraima.

Enfim, são cinco!

Foi em 1970 que o Brasil ganhou a organização regional atual, dividida em grandes áreas com características semelhantes (segundo os aspectos naturais, humanos e econômicos):

  • Norte: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.
  • Nordeste: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.
  • Centro-Oeste: Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
  • Sudeste: Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
  • Sul: Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina

Outra ideia

Em 1999, os geógrafos Maria Laura Silveira e Milton Santos propuseram que a divisão em regiões considerasse, principalmente, as técnicas de produção e a velocidade da divulgação de informações de cada área. O projeto não foi para frente. Mas, se tivesse dado certo, seria assim:

  • Região Concentrada: seria formada pelos atuais Sudeste e Sul, e caracterizada pelo maior fluxo de dinheiro, mercadorias e informações.
  • Região Centro-Oeste: incluiria o Centro-Oeste como conhecemos hoje, além do Tocantins, por causa da especialização agropecuária dessa área.
  • Região Nordeste: seria igual à atual região Nordeste por causa da instalação contínua de infraestrutura e novas redes de informação.
  • Região da Amazônia: atual região Norte, com exceção do Tocantins, que tem baixa concentração de sistemas de comunicação – a internet, por exemplo.